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Fiocruz-PE cria teste rápido de zika com custo de R$ 1

15 MAR 2019
15 de Março de 2019

Pesquisadores da Fiocruz de Pernambuco desenvolveram um teste rápido para o zika vírus, em que o resultado da infecção pode ser conhecido em menos de 1 hora e com custo de R$ 1. A tecnologia ganhou o nome de amplificação isotérmica mediada por alça (RT- Lamp).

Ela foi desenvolvida no mestrado em Biociências e Biotecnologia em Saúde pelo aluno Severino Jefferson, com a orientação do pesquisador Lindomar Pena. O projeto conta ainda com a participação dos pesquisadores Constância Ayres e Fábio Melo, da mesma instituição. O teste teve os resultados iniciais – provenientes de simulações em amostras de mosquitos – publicados ontem na revista Nature - Scientific Reports. Os testes dele em humanos devem ser publicados ainda este ano e foram objeto de avaliação da detecção do vírus o soro, saliva, urina, sêmen.

Além de agilidade diagnóstica (o exame mais comum hoje é o PCR tempo real que tem resultado em 5 horas), o exame RT- Lamp também é muito mais barato porque não depende de equipamentos caros e sofisticados, restritos a laboratórios especializados. Para se ter uma ideia, o custo para a realização de cada teste é de apenas R$ 1 contra o valor individual do PCR que é de R$ 40, ou seja 40 vezes mais em conta.

Outro diferencial o novo exame é a alta sensibilidade em detectar o zika. A técnica se mostrou 10 mil vezes mais sensível que o PCR e, em alguns casos, foi capaz de detectar carga viral onde a PCR deu negativa. “Esse teste é muito sensível. Suas enzimas e mecanismos fazem com que ele seja muito mais sensível que o PCR, hoje considerado exame ‘ouro’. Além disso, ele não tem reação cruzada. Avaliamos a especificidade dele contra dengue, febre amarela e chikungunya, e ele não detecta outros vírus”, explicou o pesquisador Lindomar Pena.

Pena afirmou que o RT- Lamp tem a seu favor uma simplicidade que pode levá-lo a qualquer lugar no território e garantir diagnóstico a diversas pessoas. “Em Pernambuco, só no Lacen (Laboratório Central) e na Fiocruz , que ficam no Recife, se faz o PCR. No Interior não é feito porque se demanda infraestrutura. Hoje, os casos de zika acabam subdiagnosticados porque o médico notifica baseado só na clínica (exame clínico do paciente) que não tem como saber com certeza. Com um teste novo como este se melhora muito o diagnóstico e você passa a ter certeza do zika”, exemplificou.

Como o RT- Lamp funciona

O estudo publicado na Nature avaliou 60 amostras de mosquitos Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus (popular muriçoca), infectados naturalmente ou em laboratório com os vírus zika, dengue, febre amarela e chikungunya. Os mosquitos foram macerados e colocados em tubo com o reagente. Após aguardar por cerca de 20 a 40 minutos resultado vem em forma de cor. Se o líquido ficar amarelo há presença do vírus zika, se fica laranja não há zika. O mesmo rito foi feito com amostras humanas de soro, saliva, urina, sêmen. “Já finalizamos o artigo com humanos e, basicamente, os resultados são os mesmos. Mas ainda vamos submeter”, informou Pena. Um detalhe importante é que o RT-Lamp só funciona para a fase aguda do zika. “Ele detecta o vírus, não os anticorpos”, esclareceu o pesquisador.

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